A morte está vencendo a vida

A morte está vencendo a vida

PONTO DE VISTA
De: José Ricardo 11.06.2020

Imagino um Brasil unido contra o vírus mortal, todos remando numa única direção. Tudo seria menos traumático, não fosse a deliberação de um sujeito doente que não se importa com a sua patologia, lança o destino do povo à fornalha da morte, sabotando as recomendações adotadas pelo mundo e por cima chantageando governadores e prefeitos, segurando verbas e terceirizando a sua culpa.

Azar o nosso, pois os governadores e prefeitos, cansados e de pires nas mãos, jogam a toalha e se dão por vencidos. Nesse momento o termômetro de insanidade está em grau elevado a 100. Triste sina a do brasileiro, tendo que conviver com uma pandemia que já fez 400 mil vítimas fatais no mundo, com o Brasil participando com 40 mil mortos. No caso específico do Brasil, acreditamos que esse número esteja mesmo subestimado, apesar de alguns aloprados terraplanistas, que na falta de argumentos vêm defendendo que os estados estão superdimensionando os dados para conseguir maior verba para desvios. Esse pensamento é tão simplório que não chega nem a ser uma mentira. A conduta ladra de alguns governadores nada tem a ver com a quantidade de mortos, pois desvios sistêmicos existem mesmo antes da pandemia. A corrupção está no DNA de alguns políticos. Atitudes com estas, defendidas pela caterva bolsonarista, tenta enganar parte da população que só enxerga do umbigo pra baixo. Infelizmente o vírus da ignorância chegou para causar estragos irreparáveis.

Estamos vendo programas de flexibilização em andamento, num momento em que os números de mortes diárias e o montante crescem de sobremaneira, não obstante a tentativa criminosa da quadrilha palaciana de omitir os números em defesa de interesses pessoais, num exemplo transparente de infração penal.

Bolsonaro, de olho em 2022, trava briga insana contra os governadores, que também, satanicamente, olham para os próximos pleitos. Quer dizer, eles travam batalhas campais e os brasileiros arcam com as consequências dessas posturas nefastas e nojenta.

Alguns brasileiros perderam a vergonha de vez. Somos uma república de bananas (podres), pois hoje tudo ficou banal. Lembro que ao tomar posse, um dos primeiros atos do atual presidente foi acabar com ministérios passando dos 23 existentes para 15. Bravo! Esse é o nosso presidente! Bradavam os idiotas. Nesse momento, procurando galhos da salvação, Bolsonaro cria ministérios disfarçados em secretarias e já contamos com os mesmo 23 ministérios, números do Temer. Até aí nada demais se não fosse a finalidade a mais tenebrosa e obscura que possamos imaginar: evitar um processo de impeachment e aí ele venda até a alma ao diabo. Asco, digno de revolta para quem tem dignidade. Crítico ferrenho do aparelhamento do estado, o déspota age com o maior descaramento, entregando pastas a conhecidos corruptos, até condenados em processos de corrupção passada. Não precisamos citar nomes, pois quem tem caráter saber de quem estamos falando.

Nesse enredo todo, ficamos presos aos interesses de outra figura em resguardar suas peripécias éticas, pois já foi ameaçado em outras ocasiões de ter o seu histórico político exposto para avaliação popular, e aí o resultado seria desastroso. O Presidente da Câmara se porta nitidamente de forma covarde, esperando o “momento certo” para agir. Ora, quer dizer que ficamos a mercê da escolha de uma única pessoa, que em seu interesse próprio abandona o interesse coletivo? Isso não é defensável, nem racional.

O aparelhamento planejado pelo medíocre governo vai trazendo resultados danosos ao Brasil. Conta-se que o ministério da saúde hoje está totalmente descaracterizado e já podemos chama-lo de quartel da saúde. Nada contra as Forças Armadas, que tem o seu papel bem definido na Constituição, mas acontece que os que estão lá, segundo informações de domínio público, nunca administraram um posto de saúde de uma cidade de mil habitantes. A substituição de dois ministros da saúde em pequeno espaço de tempo e a fixação de ministro militar interino dá o tom das barbaridades administrativas do atual governo federal, sendo o mais lamentável que esses generais, ditos de pijama, estão lá somente para cumprir orientações desastrosas, todas repassadas por um elemento desqualificado e que foi expulso do exército por atos subversivos. Tudo para garantir um extra, enquanto faltam recursos para os programas sociais necessários, aliás, praticados no mundo, para não aparecer algum engraçadinho para dizer que é esmola que não resolve.

Como podem esquecer esses fatos? O que se passa nas mentes doentias de pessoas que ainda avaliam positividades nesse (des) governo, que agoniza e só não morreu ainda porque o aparato proselitista está instalado?
Ainda ouço: “pelo menos não temos um caso de corrupção nesse governo”. Claro, os acontecimentos são ocultados através de manobras sombrias, como o caso do COAF, que foi desmantelado para o bem da casta corrupta desse governo.

Nada é transparente nesse (des) governo. O INPER foi patrulhado para esconder as queimadas e desmatamentos; O IBGE foi desqualificado por divulgar números reais estatísticos; o ministério da saúde teve comando trocado até chegar alguém que aceitou manipular, criminosamente, os dados da pandemia; liberação de protocolos de remédios com estudos em andamento pela comunidade científica; pareceres do executivo são proibidos de divulgação; contas aprovadas com ressalvas pelo TCU, essas representadas por claras pedaladas fiscais, as mesmas que derrubaram a Dilma, que não caiu pelas inventadas pedaladas e sim por decisão política, pois não teve a coragem de ir às prateleiras do Congresso e lá comprar as mercadorias podres, que são alguns parlamentares que vivem de vender o caráter que nunca tiveram.

Patética a intenção de Jair Bolsonaro de querer tirar o corpo isentando-se de suas responsabilidades. Ele sonega informações, inverte valores, Oculta dados. Mente cinicamente, e alguns concordam, quando afirma que o STF determinou que somente os governadores possam ter ações contra a pandemia. Covarde e moleque essa tentativa porquanto quem acompanha os acontecimentos da nossa política e as decisões acertadas do STF, sabe que isso não aconteceu. Ficar se baseando em falas com o gado doente no cercado do Planalto, que pelas últimas reações do Bolsonaro é lugar reservado a quem lambe suas botas, é solipsismo patológico que alguns aplacam com a ternura dos anjos.

Enquanto isso, a imagem do Brasil no mundo fica cada vez mais arranhada com a postura negacionista de um governo das trevas. Interessante a matéria de capa do jornal New York Time, de 10 de junho, em que aventa a possibilidade de golpe militar, com o que não acredito, pois os militares já estão no poder. Então, seria dá um golpe em si próprio. Por outro lado, o Bolsonaro prepara salvaguardas numa eventual cassação, seja pelo Congresso, seja pelo TRE. Aí acionaria as Forças Armas. Já foi amplamente esclarecido que o Artigo 142, da CF, não dá poderes às Forças Armadas para intervenção, pois estas se subordinam à Constituição, e não o contrário. É puro delírio, no qual, até o PGR, o comprometido Augusto Aras, deu parecer a favor da ideia e depois se desculpou ao perceber que dera uma canelada jurídica, o que poderia denunciá-lo como jurista formado pelo Instituto Universal Brasileiro, através de seus cursos à distância. Isso está descartado, para decepção do movimento bolsonarista. Se fosse verossímil essa loucura, os demais poderes já teriam razões suficientes para requisitarem as Forças Armadas , e expulsar, com o uso de canhões, toda equipe do Executivo, por conta dos sucessivos crimes praticados contra a Carta Magna. Não sendo possível essa ação, fica claro que também não tem respaldo os delírios do bolsonarismo.

O desenlace dessa narrativa triste é uma coisa que nos agonia, pois não sabemos como seremos tratados e olhados pelo mundo depois de todos esses descasos do Bolsonaro, que sozinho está levando o Brasil para a base do penhasco.

COLUNA PONTO DE VISTA
Últimos posts por COLUNA PONTO DE VISTA (exibir todos)

Seu comentário é muito importante para nós.

Protegido por Direitos Autorais. Compartilhe o conteúdo usando os botões das redes sociais no final da matéria.