NO PAREDÃO: Prefeito e vice-prefeita de Sapé podem perder mandatos por compra de votos nas últimas eleições

NO PAREDÃO: Prefeito e vice-prefeita de Sapé podem perder mandatos por compra de votos nas últimas eleições

Polícia Federal analisa áudios e Gaeco investiga a atual gestão municipal. Denúncia na Justiça Eleitoral apura suposto esquema de compra de votos promovido por Sidnei Paiva nas últimas eleições

Por Jorge Galdino – Jornalista  

Uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) investiga o atual prefeito de Sapé, Sidnei Paiva de Freitas (Podemos), a vice-prefeita Lenilda Leôncio, os vereadores eleitos David Matias de Souza e Adriano Jose dos Santos Silva (Adriano de Inhauá), e os então candidatos a vereadores Robson Guedes de Vasconcelos (Coruja) e Valdecy Soares da Silva. A ação foi promovida pela Coligação “Sape Pra Frente” formada pelo PP e Cidadania, derrotada nas últimas eleições.

A Ação investiga a distribuição de vale gás, dentaduras e cestas básicas e o favorecimento dos então candidatos a vereadores Davyd Matias, que teria recebido R$ 35 mil, e Adriano de Inhauá, que teria recebido R$50 mil, em detrimentos dos demais candidatos da coligação, que teriam recebido apenas R$ 6mil.

A denúncia foi feita por Olivânia Alcântara Guedes, que também concorria a um cargo de vereadora na coligação. Olivânia acusa diretamente o então candidato a prefeito Sidnei Paiva pelo favorecimento a Davyd Matias e por compra de votos. “Eu moro aqui na Caixa D’água e, além de mim, existe outro candidato que mora aqui também na Caixa D’água, chamado Davyd Matias. E eu fiquei sabendo, através de uma pessoa que estava junto, que o Major Sidnei deu 35 (trinta e cinco) mil a Davyd, deu 200 (duzentos) vale gás, deu 100 (cem) guias para dentaduras, deu 150 (cento e cinquenta) cestas básicas”, relata Olivânia no processo.

Olivânia também afirma que Adriano de Inhauá e Robson Coruja teriam recebido dinheiro para aderir ao projeto eleitoral de Sidnei Paiva. Já o então candidato Valdecy Soares teria feito promessas de cargos públicos, doação de valores e serviços a eleitores e compra de votos “Tapeou alguns bestas em cima da hora com 5 (cinco), 6 (seis) mil reais, para calar a boca dos besta. E chegou a dar 50 (cinquenta) mil para Adriano de Inhauá, porque Adriano pulou para o lado dele, 15 (quinze) mil a Coruja, mais 15 (quinze) para os outros que pularam do outro partido para o dele”, relata Olivânia Alcântara.

Sidnei Paiva não teria declarado qualquer receita ou despesa no seu processo de prestação de contas, estando recebendo e gastando valores durante todo o pleito eleitoral sem informar à Justiça Eleitoral a quantidade e a origem das suas receitas, bem como a destinação dos recursos.

Nos áudios anexos ao processo, os investigados negociam aproximadamente 1.200 empregos, que seriam contratados por excepcional interesse público na prefeitura de Sapé e rateados entre a ex-prefeita Maria Luíza do Nascimento, aliada política de Sidnei Paiva, e para os demais vereadores.

Em sua defesa, Sidnei Paiva atribui as acusações a desafetos e inimigos políticos, citando expressamente Egberto José Carneiro, Maria Teresa Carneiro e o ex-prefeito José Feliciano, requer provas periciais nas gravações de áudio anexadas ao processo e acusa os autores das denúncias de estarem promovendo ficção jurídica. “Trata-se de mera ficção jurídica provocada pelos autores que tentam criar um fato novo para reverter o resultado do pleito  eleitoral  de  2020,  obtido  legitimamente  pelo candidato a prefeito deste Município Sidnei Paiva de Freitas”, relata a defesa do prefeito Sidnei Paiva.

O juiz da 4ª Zona Eleitoral de Sapé, Anderley Ferreira Marques, determinou a realização de perícia das provas pela Polícia Federal e, diante da oitiva das testemunhas ocorrida em audiência realizada no último dia 25, concedeu o prazo de dez dias para que o Ministério Público Eleitoral junte ao processo um procedimento que investiga Sidnei Paiva, que corre no âmbito do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público da Paraíba (Gaeco/MPPB).

Caso haja condenação na AIJE, a chapa Sidnei Paiva e Lenilda Leôncio será cassada, o presidente da Câmara assume o Executivo e novas eleições serão convocadas num prazo de noventa dias.

Da Redação do Portal GPS.

Redação GPS

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