O adeus a Preto Zé

O adeus a Preto Zé

Por Jorge Galdino – Jornalista

No início da semana passada, estava eu no hospital preparando-me para uma cirurgia no ombro direito, mas minha preocupação estava na verdade em um de meus sete gatos de estimação: O Preto Zé. Encontrei Preto Zé babando muito, não conseguia fechar a boca. Fiquei muito preocupado e o isolei em um quarto para no dia seguinte levarmos ao veterinário.

No dia seguinte, fui ao hospital em João Pessoa e pedi a um amigo para levar o gato ao veterinário. No início da tarde, recebi a notícia de que Preto Zé tinha na verdade sofrido um trauma na mandíbula resultado de um pedrada, paulada ou um chute na boca. Uma alma sebosa tinha agredido o pobre animal indefeso e para sobreviver, Preto Zé teria que fazer uma cirurgia muito delicada para reconstitui toda a mandíbula. Sofrendo sem poder comer, beber e babando muito sem poder fechar a boca, Preto Zé não resistiu e morreu.

Tenho dois cães, uma cadela, quatro gatas e três gatos, todos são pedacinhos de nossa família. Todos foram vítimas de abandono, de maus tratos, que ganharam um lar, recebem cuidados, aconchego e carinho. Preto Zé era um lutador, contraiu esporotricose, ficou isolado por trinta dias e todos os dias de sua quarentena recebia medicamentos, passeava na coleira e depois de muita dedicação e carinho ele ficou curado, tudo isso para alguns meses depois ser vítima de um criminoso.

Ao vermos um cão, um gato ou qualquer outro animal na rua, em nosso quintal, em nossa casa, lembrem-se que assim como você, aquele animal tem uma história, tem uma família que o adotou ou está abandonado à própria sorte… não importa, nada que ele faça justifica uma agressão nem tampouco ser condenado à morte. Toda a vida pertence ao Criador e nada justifica a pena de morte.

Preto Zé era um companheiro, gostava de me seguir e ficava me observando trabalhar no computador, na piscina e até mesmo me acompanhava à mesa. Hoje só restam as boas lembranças dele e a revolta pela forma brutal com que ele se foi. Sou abençoado por ter a companhia do demais bichinhos de estimação, mas a ausência de cada um fere o coração, por isso estou aqui, diante do computador, sem a companhia de Preto Zé.

Estou aqui me recuperando da cirurgia, digitando esse texto utilizando apenas uma das mãos, mas não poderia deixar de fazer essa homenagem, de expressar minha revolta e, ao mesmo tempo, desabafar para acalentar a alma.

Quero encerrar fazendo um alerta: Quem tem coragem de tamanha brutalidade com um animal indefeso, também bate em criança, agride mulher e difama a raça humana. Que Deus acolha Preto Zé e tenha piedade da alma desse agressor, assim como daqueles que abandonam, maltratam e se omitem diante da violência contra os animais.

Jorge Galdino

Redação GPS

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