O EFEITO QUEIROZ

O EFEITO QUEIROZ

PONTO DE VISTA
POR: José Ricardo 16.07.2020

“Quem tem telhado de vidro não joga pedra no do vizinho”. Às vezes somos obrigados a recorrer a jargões e ditados populares para reforçarmos uma ideia e torna-la mais assimilável. O discurso de campanha do Presidente, mantido até outro dia, trazia em seu conteúdo a predisposição de mudar o curso das águas e reinventar a roda, quando o assunto era adotar um novo modelo de fazer política, como se essa arte fosse refém de aventureiros e vendedores de ilusões. Não demorou muito e o fanfarrão teve de se render à realidade: “o mundo não é para amadores”.

Ainda bem que prenderam o Queiroz. Mantido em encarceramento, o “amigo do rei” era uma granada destravada com explosão devastadora. Ah! Ainda não provaram nada contra o coitado. Tem gente que não acredita em crime antes de julgamento mesmo que delitos criminais sejam cometidos à luz do dia sob o olhar definido de testemunhos oculares. Para quem assim vê, lembramos que evidências sólidas apontam para uma ligação do clã bolsonariano com algumas figuras consideradas tóxicas do meio social. Mantido em cárcere, com seu cônjuge procurado pela justiça, é de se imaginar o que percorria o cérebro amedrontado do consorte de longas datas, colocando em pratos limpos a comida suja que alimenta de que se alimentam os malfeitores. Tudo era uma questão de tempo.

Aliado aos fatos acima, ainda contamos com as investigações em andamento para desbaratar a quadrilha de criminosos cibernéticos, que usam as tecnologias para o mal. Tudo conspira contra a ORCRIM que patrocinava as fakenews destruidoras de reputações e verdades. Em boa hora temos duas situações que acalmaram o leão e aí já dá pra ver que ele não é tão feroz como se apresentava. As vidraças, em geral, não são à prova de pedras e se quebram com facilidade.

Para o bem do Brasil, estamos observamos uma mudança da água para o vinho. O mandrião parece que se deu conta de que ele não era “a última Coca-Cola do deserto”. Está calminho e aí suas vontades doentias já não prevalecem mais.

Temos muita coisa para consertar, pois o estrago foi enorme na desestruturação dos órgãos estatais. E aí aparecem como maiores vítimas o Ministério da Educação, o Ministério da Saúde e os Órgãos ligados ao meio ambiente. O caminho é tortuoso, afinal destruir é mais fácil do que edificar. Temos muitos assuntos para colocar em discussão, mas em apenas um texto não é possível, pois os descalabros são fecundos. Por quase dois anos estamos tendo de lidar com um déspota insipiente, que ardilosamente se cerca de autoridades da área militar para lhe respaldar em sua saga. Ainda bem que vez ou outra aparece alguém com coragem e denuncia alguns propósitos obscuros e aí o capitão, inteligentemente, vem se reposicionando senão vai amargar outra expulsão, a exemplo da que foi alvo quando de sua passagem pelo exército. O currículo do cidadão depõe contra ele. Não é uma figura confiável, efetivamente.

Com o Queiroz gozando das regalias concedidas pelo juiz humanitário, que determinou uma prisão domiciliar, sem antes determinar, também, que a sua esposa, foragida da justiça, ganhasse a nova função de cuidadora e saísse do esconderijo, onde poderia estar correndo risco de vida e fosse para o seu lar cuidar do seu esposo. Ah, mas o juiz teve os cuidados necessários. Impôs tornozeleira eletrônica para ambos e os proibiu de falares ao celular e a manter contatos com outras pessoas. Que legal não é? Alguém está fiscalizando isso? E como é feita essa fiscalização? Confesso a minha condição de neófito para entender essas providências da nossa justiça. Espero um dia chegar a um nível de entendimento de certas coisas.

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