Bolsonaro foi homenageado pelos vereadores de Sapé em 2015, sob protesto dos sapeenses, e pode ser condenado por tentativa de golpe
Por Jorge Galdino – Jornalista
O “cidadão sapeense” e ex-presidente da república, Jair Messias Bolsonaro, está no banco dos réus em pleno julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por denúncias de trama golpista contra o estado democrático de direito, dentre outros crimes. As acusações decorrem de uma investigação abrangente que revelou supostas conspirações, incluindo planos para envenenar o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin, além de assassinar o ministro Alexandre de Moraes, que supervisionou as eleições de 2022 e agora preside os julgamentos relacionados ao golpe.
Muitos não sabem, mas em 2015, a Câmara Municipal de Sapé concedeu o título de cidadão sapeense a Bolsonaro quando ele ainda era deputado federal pelo PP do Rio de Janeiro, mesmo sem qualquer critério que justificasse a honraria, já que o então deputado nunca tinha direcionado qualquer benefício ao município e nem mesmo visitado a cidade.

A propositura da cidadania sapeense foi dos então vereadores Wilson Nascimento e Pedro Ramos Cabral. O requerimento recebeu 10 votos favoráveis e apenas o vereador João Francisco Rodrigues Neto (Jojó) votou contra o pedido à época. Bolsonaro sempre foi conhecido por sua posição conservadora, pela defesa da ditadura militar e por criticar a esquerda brasileira, além de ações e declarações consideradas homofóbicas, racistas, machistas, sexistas, preconceituosas e antidemocráticas.
Como presidente da república, Bolsonaro foi omisso desde o início da pandemia do Covid-19, além de espalhar mentiras sobre falsos tratamentos e atrapalhar a compra de vacinas. Contribuiu, desta forma, para a morte de mais de 700 mil pessoas no Brasil, dentre elas, mais de uma centena de sapeenses.

A população de Sapé chegou a protestar contra o título concedido a Bolsonaro e a executiva do PSB da Paraíba, partido de Wilson Nascimento, chegou a publicar uma nota de repúdio contra o então vereador por ter proposto a concessão do título de cidadão sapeense a Bolsonaro.
A aprovação do título também gerou o repúdio da Associação Nacional de História Secção Paraíba. Segundo nota da ANPUH-PB, a decisão dos parlamentares “afronta à memória e à história de cidadãos paraibanos e brasileiros, como os integrantes das Ligas Camponesas, dentre elas a de Sapé, que tombaram pela repressão empreendida pela conivência do Estado ou pelo próprio Estado, principalmente a que se abateu em todo o país a partir do golpe militar de 1º de abril de 1964, celebrado publicamente, e sem quaisquer pudores, pelo referido deputado”.
O processo de Bolsonaro está sendo analisado pela Primeira Turma do STF, em um julgamento histórico que poderá, pela primeira vez, condenar um ex-presidente por tramar contra a democracia. As sessões estão sendo transmitidas ao vivo pelo canal do STF, e o julgamento se estenderá até o dia 12 deste mês.
Da Redação do Portal GPS.
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